Entrevista com o autor Jaime Filho

Concedida à Jana Lourenço em 09/08/2019









Nome: Jaime Gonçalves Filho

Perfil de textos no Instagram:

@epifania.literaria

Livro:

DAQUELAS TARDES NO LEBLON




1. Jaime, conte-nos um pouco do seu amor pela escrita. Quando começou a escrever e nutrir a vontade de ter um livro?


"Vejo a minha inspiração poética, esse meu lirismo inexato, como algo bem leve, bem sutil, sem perspectiva, sabe? Informe, sem limites... Eu prefiro enxergar assim. É a fuga; a emancipação das minhas limitações; escrever é a maneira que eu encontrei de ladrilhar meu caminho 'Áspero e inóspito caminho torto' (de um poema do meu livro). Desde pequeno que eu gosto de escrever, era fanático por redações na escola, até brincava de escritor em minha imaginação de criança... Eu tinha um caderninho cheio de 'selos postais' colados na capa onde eu redigia algumas das historinhas 'fantásticas' que passavam pela minha cabeça; haviam índice, nome de editora, capa e contracapa, tudo escrito a mão. Mas a minha adolescência foi um tanto rebelde, e eu acabei me distanciando da literatura e, mais ainda, da caneta. E depois de um hiato bem extenso, somente aos 33 anos de idade, me vendo angustiado em meio as solidões de mim mesmo, me lembrei que eu ainda tinha esse local seguro chamado poesia, esse amigo chamado eu lírico. O livro, foi involuntariamente que me veio a ideia, em janeiro de 2019, me disseram que eu merecia um livro, eu até retruquei em tom satírico e disse que talvez naquele ano não, e logo em seguida quase no mesmo mês, me chegou o convite do Clube Frutificando para enviar os meus textos para análise. Eu liguei as ideias, aceitei o desafio e estamos aí, frutificando rumo à imortalidade."


2. Qual teu estilo musical preferido, o que toca na tua playlist?


"Eu gosto mesmo é de rap, sempre ouvi. Quem viveu na periferia de São Paulo nos anos 90 sabe como foi; e até hoje eu ouço rap em casa, nacional e gringo. No rap eu curto uma linha mais underground da época da goldem era. Mas hoje, por exemplo, eu fiquei o dia todo ouvindo Fix You do Cold Play (haha), estranho né? E escuto várias paradas também, minha playlist é uma miscelânea total, tem desde aquela turma da Soul Train: Stylistics, Manhattan, Commodores; tem, All Green, Barbara Mason, Nina Simone, Aretha Franklin, Billie Holiday; até, Chico, Tom, João Gilberto, Caetano, Tim, Jorge Ben, Belchior (tenho quase todos dele); Flora Purim, Nara leão, Betânia, Gal, Nana Caymmi; passando por A-ha, Roxete, The Cranberries (sou fãzasso da Dolores), The Smiths, Smashing Pumpkins, Rage Against; até, Criolo, Parteum, Elo da corrente, Rima Rara, Kamal, Mahal Reis, Gato congelado, Quinto andar, Canto Místico; Wu Tang Clan, Quasimodo, 9th Wonder, Little Brother, Fugges, Slum Village, Bob Marley, Alpha Blond, Erick Donaldson, The Gladiators, Edson Gomes, Natiruts e alguns que eu me esqueci. A música que eu ouço acaba sendo influenciada pelo meu estado de espírito, depende do dia."


3. Qual livro está lendo no momento?


"Exatamente hoje eu cheguei no epílogo da novela 'Crime e Castigo' do Dostoyeviski, e vou te falar que ainda estou em recuperação depois da surra que levei. Cara, eu amo as personagens dele, os anti-heróis de Fiódor Dostoyeviski são, para mim, com todos os seus defeitos, os verdadeiros heróis; e nessa novela, em especial, quem conhece o Racholnikov, que apesar de ser um assassino, Sonia, Dunia, sabe de que tipo de heróis estou falando. O herói ser humano."


4. Jaime, conte-nos como foi sua experiência em publicar seu livro pelo Clube Frutificando.


"Bom, até hoje não caiu a ficha ainda, mas posso dizer que foi uma luta para obter os resultados que obtivemos, foi preciso trocar de editora para conseguirmos, fizemos e refizemos a capa, o miolo, a lombada, tudo forjado sob muito fogo e muita pancada pra ficar do jeito que eu queria. Foram várias correções na disponibilidade das gravuras e nas páginas. A questão das gravuras foi uma ocasião muito interessante, o Everton Oliveira, desenhista que me cedeu os desenhos, não conhecia os poemas, estava de mudança para o outro país, e apenas me trouxe alguns que ele já tinha feito, de São Paulo para o Rio, para eu escolher alguns. E foi mágico, porque nós marcamos uma reunião na Lapa (Rio), e na pressa, ele me apresentou os desenhos, ali mesmo na escadaria do Selaron, onde foram escolhidas, uma por uma, entre os ladrilhos, sobre os degraus históricos da escadaria mais poética da cidade, as gravuras que ilustram o meu livro e a capa. E depois, uma a uma, as páginas foram idealizadas e organizadas por mim e digitalizadas pela equipe do Frutificando."


5. Qual perfil de textos no Instagram que você gosta de parar para ler?


"O perfil do @reluuz., eu o conheci recentemente, tem até um pessoal que eu acompanho há mais tempo, mas no momento, falando de Instagram, ando visitando sempre o canal do nobre amigo, e posso dizer que ele escreve como se morre, sem rodeios, sem maquiagens, realismo sujo, poesia maldita; pesado!"


6. Conte-nos uma arte que aprontou quando criança, que deixou sua mãe maluca.


"Uma só? Tem muitas. Antes de responder eu perguntei para ela e ela me mandou um áudio de cinco min., dizendo ao final que não eram nem metade delas. E na verdade, tem uma que eu não lembro, mas toda família fala, que quando eu tinha uns dois anos, eu fugi de casa para comer pastel na feira, e a vizinhança, assim como meus familiares, saíram a minha procura e só me acharam, algumas horas depois, quando o feirante pode sair da barraca e avisar que eu estava lá comendo, e muito (kkk)."


7. Deixe um recado para o Jaime do futuro.


"Parabéns, Poeta! Eu pensei que você não fosse conseguir encontrar a sua felicidade, mas, apesar de mim, você conseguiu. 'A FELICIDADE EXISTE SIM!' "


8. Se pudesse voltar no tempo, para qual lugar/momento e por quê?


"Eu queria voltar nas épocas de férias escolares em que eu e minha família viajávamos para o norte do Paraná, naqueles sítios da minha família que eu percorria um a um comendo de tudo que minhas tias me ofereciam de bom (nada era ruim), e aqueles cheiros, o barulho da bota do meu vô batendo no assoalho de madeira, meus primos, as histórias que meus tios contavam depois do almoço... faz tempo que eu não vou lá, sabe?! É, deve ser por isso que eu queria tanto poder vivenciar aqueles tempos novamente."


9. Pretende escrever outros livros?


"Pretensão explícita mesmo falando, não (como eu também não tive com o Daquelas tardes no Leblon, e ele aconteceu), mas vou escrevendo meus poeminhas, por enquanto, a minha ansiedade não me permite escrever um romance. Mas em breve vou começar um, tenho algumas personagens em mente já e só me resta saber o que fazer com eles."


10. Um pensamento: “Só o amor transcende o amor...”


11. Quais são suas referências literárias?


"Assuntos como o modernismo e a semana de vinte e dois, sempre me fascinaram, quando eu li 'Paulicéia Desvairada', de Mário de Andrade, eu fiquei apaixonado (era um livro de sebo, antigo, capa dura, uma edição bem antiga do Paulicéia; eu lembro que ainda tinham: 'O Remate Dos Males', 'O Clã do Jabuti' e 'Losango Cáqui', na mesma edição), eu amava aquele livro. Daí eu fui ver (no tempo que não tinha internet), quem eram os tais escritores da vanguarda modernista de 22. E passei a ler imortais como, o próprio Mário, o Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio Alcântara e algum que eu não me lembre. Depois também os modernistas da segunda fase: Drummond, João Guimarães Rosa, Jorge de Lima, Cecília Meireles (amo essa olhinhos de gato) Murilo Mendes, Vinicius de Moraes. Também Augusto dos Anjos, Alvares de Azevedo, Castro Alves: Eu acho que o Castro Alves foi o primeiro Rapper da história (sem dúvida). E não posso me esquecer da rainha, mestra e minha psicóloga, a intransponível Clarice Lispector."


12. O que gosta de fazer nas horas vagas, além de escrever?


"Sem dúvida é de natureza, ficar no meio do mato. Mas quando estou com preguiça, eu passeio pelos meus livros em casa, no silêncio do meu lar. Mas ultimamente eu tenho colado alguns lambe lambes por aí, divulgando meus poemas também, e confesso que as colagens têm sido como uma terapia para mim, e eu estou curtindo muito esta fase da minha poesia."


Jaime, você sabe o tamanho da minha admiração por você e sua escrita. É uma honra ter seu livro no clube, poder ter participado de cada etapa e ter feito a apresentação dele. Sem palavras. Obrigada pela entrevista e amizade. Sou sua fã!



Agradeço a leitura de mais uma entrevista em nosso blog.

Até a próxima, pessoal!



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